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O protagonismo da mulher no ano de 2020 02/12/2020

Com Dra. Isabela Lessa

  1. Neste ano de 2020, qual foi a contribuição da ESA-PE para o protagonismo feminino?

Nós que fazemos parte da ESA sempre cuidamos de proporcionar a ativa participação feminina em todos os espaços. Atentos à necessidade de amadurecer os debates sobre gênero, criamos a coordenação temática destinada a promover eventos sobre o assunto. Também fizemos vários encontros virtuais voltados a debater temas específicos para as mulheres. Na Pré-Conferência Estadual da Advocacia Pernambucana, que aconteceu em agosto, dos 150 palestrantes, 53% eram mulheres. Foi o primeiro evento da ESA com maior participação feminina. Além disso, criamos o projeto Vem com Elas, que tem o objetivo de ampliar a voz e proporcionar espaços de fala para as advogadas do Interior que integram as diretorias das Subseccionais da Ordem.

  1. Como você acha que a sociedade enxerga esse assunto?

Com estranhamento e muitas vezes reputando desnecessário, talvez por que até a divisão dos espaços de trabalho com os homens é relativamente recente. Há uma resistência em discutir igualdade de gênero, especialmente nos espaços de poder, pois isso implicaria menos espaços para os homens e muitos não querem ceder o lugar. O machismo estrutural muito nos afeta, a nós mulheres, mas também aos homens, na verdade, não temos uma divisão igualitária de tarefas e atividades dentro e fora de casa. Lidamos, ainda, com uma maior dificuldade no respeito à liderança feminina, pois o paradigma do líder é masculinizado.

  1. Como mulher advogada, qual a importância desse tema para você?

É muito importante discutir esse assunto porque nós mulheres queremos respeito. Em nosso trabalho, por exemplo, queremos ser respeitadas pelo nosso intelecto, pela nossa capacidade técnica, mas, muitas vezes ouvimos que estamos ali para embelezar o ambiente. Na verdade, ainda vivenciamos muitas cenas de desrespeito e assédio, que não podem continuar acontecendo. Como advogada sinto uma dificuldade adicional porque a área jurídica como um todo ainda é muito masculinizada. Precisamos refletir. Onde estamos? Onde queremos chegar? E lutar até o fim para conseguir, superando todos os obstáculos.

  1. Quais os maiores desafios do protagonismo feminino?

As mulheres precisam entender que representatividade importa e usar todos os espaços possíveis para ampliar suas vozes. Assim, outras mulheres vão se sentir mais encorajadas e à vontade nesses ambientes. Também é necessário aprender a se posicionar e não permitir que ninguém deslegitime o seu discurso. Além disso, a sociedade como um todo entender o feminismo como a luta por igualdade de direitos políticos, sociais e econômicos. Não queremos ser mais, queremos ser tanto quanto!

Isabela Lessa, vice-diretora geral da ESA-PE

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